sábado, 1 de junho de 2013

A leitura sempre permeou a minha vida da forma mais gostosa e atraente possível, mesmo nos momentos em que ela me foi imposta, namorei com ela, a apreciei, a devorei de tal forma, que, em consequência, passei a sentir um desejo enorme de escrever também.
 Recordo-me como, mesmo meus pais tendo tão pouca instrução, de alguma forma, rodearam nosso ambiente com livros e, antes mesmo de aprender a ler, lembro-me de folhear com um desejo imenso as ilustrações e as letras que faziam parte de uma coleção em três volumes do Sítio do Pica Pau Amarelo, que meu pai tinha nos dado quando um vendedor ambulante passou pela nossa casa, como outras vezes o fez, movido não sei bem por qual motivo.
 Ainda criança, aos onze anos, lembro-me como devorei e chorei copiosamente ao ler em um único dia, um domingo de chuva e frio, pela primeira vez, o Meu Pé de Laranja Lima. Desta época em diante, havia a leitura bimestral exigida pela professora de português, o que para mim era uma satisfação grandiosa, pois mesmo com extrema dificuldade, meus pais davam um jeito de adquirir os livros adotados, ou conseguíamos emprestados, e recordo-me como lia também os livros que os professores da minha irmã (nossa colega de curso) estava lendo, depois que ela comentava e me apresentava o livro. Ainda nesta época de "ginásio", participei de um grupo de colegas que trocavam entre si os livros que tinham lido, indicando-nos, estimulando  uns aos outros a descobrirmos mais uma leitura, e foram muitos os da Coleção Vagalume que fizeram parte do meu mundo nesse período.

Ficaria aqui durante páginas relatando o prazer que a leitura sempre me deu, mas, principalmente, a companhia que ela me fez e me faz. As palavras são o meu mundo, estou sempre viajando, me alegrando e sofrendo através dela, e, sobretudo, estou v-i-v-e-n-do.

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