A leitura sempre permeou a minha vida da forma mais gostosa e
atraente possível, mesmo nos momentos em que ela me foi imposta, namorei com
ela, a apreciei, a devorei de tal forma, que, em consequência, passei a sentir
um desejo enorme de escrever também.
Recordo-me como, mesmo
meus pais tendo tão pouca instrução, de alguma forma, rodearam nosso ambiente
com livros e, antes mesmo de aprender a ler, lembro-me de folhear com um desejo
imenso as ilustrações e as letras que faziam parte de uma coleção em três
volumes do Sítio do Pica Pau Amarelo, que meu pai tinha nos dado quando um
vendedor ambulante passou pela nossa casa, como outras vezes o fez, movido não
sei bem por qual motivo.
Ainda criança, aos onze
anos, lembro-me como devorei e chorei copiosamente ao ler em um único dia, um
domingo de chuva e frio, pela primeira vez, o Meu Pé de Laranja Lima. Desta
época em diante, havia a leitura bimestral exigida pela professora de
português, o que para mim era uma satisfação grandiosa, pois mesmo com extrema
dificuldade, meus pais davam um jeito de adquirir os livros adotados, ou conseguíamos
emprestados, e recordo-me como lia também os livros que os professores da minha
irmã (nossa colega de curso) estava lendo, depois que ela comentava e me
apresentava o livro. Ainda nesta época de "ginásio", participei de um
grupo de colegas que trocavam entre si os livros que tinham lido, indicando-nos,
estimulando uns aos outros a descobrirmos mais uma leitura, e foram
muitos os da Coleção Vagalume que fizeram parte do meu mundo nesse período.
Ficaria aqui durante páginas relatando o prazer que a leitura
sempre me deu, mas, principalmente, a companhia que ela me fez e me faz. As
palavras são o meu mundo, estou sempre viajando, me alegrando e sofrendo
através dela, e, sobretudo, estou v-i-v-e-n-do.

Nenhum comentário:
Postar um comentário