Minha experiência leitora iniciou-se com prematura ânsia pelo conhecimento por meio da observação de minhas irmãs mais velhas em manuseio de obras clássicas. Estavam elas a discutirem afoitas sobre suas leituras e questionei-me sobre o que realmente estava causando aquele prazer.
Ao pedir para participar, riram e me direcionaram à sala de casa, onde meu pai possuía uma pequena coleção de obras literárias. Pensei em pegar um que, de imediato, disseram não se tratar de uma obra literária para a minha faixa etária: "A aldeia sagrada", de Francisco Marins. Fiquei decepcionado, mas acatei o conselho e principiei-me pela aventura com obras menos densas em conteúdo subjetivo. Desbravei o universo da 9ª Arte, mas sabia que deveria ler algo que pudesse participar também das discussões com elas.
Qual não foi a surpresa delas ao saberem que eu havia lido "Don Quijote", de Miguel de Cervantes Saavedra. E que não se tratava de alguma versão infanto-juvenil, mas sim a versão na íntegra da maravilhosa obra espanhola.
A discussão me rendeu muitos abraços, elogios e até beijinhos...
O prazer pela leitura surgiu dentro do âmago familiar.
Wilson Ademir Castelo
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