quarta-feira, 5 de junho de 2013

INFINITO

“Talvez não haja na nossa infância dias que tenhamos vividos tão plenamente como aqueles que pensamos ter deixado passar sem vivê-los, aqueles que passamos na companhia de um livro preferido...” (Trecho do livro: Sobre a leitura - Marcel Proust)
Começo com este prefácio de Proust, pois ao ler este livro há alguns meses atrás fui transportada a um tempo, não muito remoto, de minha infância. Tinha por volta de 9 anos quando li um livro que me instigou por demais, Robinson Crusoé de Daniel Defoe, uma história instigante sobre a sobrevivência de um solitário marinheiro numa ilha deserta durante 25 anos, fiquei entusiasmada com o prazer que essa leitura proporcionou e daí por diante os livros são minhas passagens para o infinito.
Como disse, Anna Verônica Mautner, “Ainda bem que poetas existem para falar sobre a dor...” Um outro livro que me paralisou diante a “dor” da existência já na faculdade foi, Água Viva de Clarice Lispector, “...O presente é o instante em que a roda do automóvel em alta velocidade toca minimamente o chão. E a parte da roda que ainda não tocou, tocará num imediato que absorve o instante presente e torna-o passado...” Esse, instante já, tão intenso descrito por Clarice que penetra profundamente na dor da volatilidade, me levou a refletir como nunca no tempo e no pensamento. A novidade na linguagem como se fosse literalmente o mundo das ideias, caracterizado pela “falta” de coerência, de conexão ou de sequência lógica, com imagens detalhadas muito semelhantes à que criamos em nossa mente procurando um significado denotativo, as vezes ridículo, ao sentido figurado das comunicações. É um entrar no eu, que sem querer nos encontramos face a velocidade em que nos vemos inseridos. A leitura sem dúvida, é uma passagem para o infinito, mesmo que esse infinito seja você mesmo.

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