domingo, 9 de junho de 2013

A minha experiência como leitor iniciante no mundo literário foi de certa forma prazeroso e espinhoso ao mesmo tempo, pois tive alguns embates com uma certa professora de português. Bom, deixarei de apresentações, andemos com este texto.

Lembro que na quinta série tive uma professora de português um tanto quanto "chata". Ela nos obrigava a ler "variados livros", como Cachorrinho Samba na fazendaCachorrinho Samba na cidade, Cachorrinho samba num sei onde... Enfim, eu achava, no início, uma tarefa enfadonha, muito embora tivesse um tio escritor e o pessoal em casa sempre tivesse incentivado a leitura. A tal professora queria discutir o porquê havíamos gostado ou não da leitura. E como já disse, eu a achava uma "mala", portanto, queria desafiá-la, queria saber mais sobre o livro do que ela. Assim, pegava livros e livros pra ler e perguntava se ela já havia lido, e quando ela, humildemente, dizia que não, eu me sentia satisfeito.

Após esta fase de "enchedor de saco", eu me lembro de ter lido a série vagalume, e ter adorado. Se bem que hoje não recomendo mais pra mulecada, há vários livros mais recentes que despertam o interesse deles, como a série sensacional de histórias dos Karas, de Pedro Bandeira. Na sétima série li Vidas Secas, e puxa, meu Deus! Que dificuldade. Hoje acho fantástico. Se me recordo bem, foi pouco depois dessa época que comecei a ter contato com a poesia do Mario Quintana e comecei a escrever poemas, os quais escondo até hoje de todos.

Hoje, acredito que gosto de tudo, leio desde o teatro de Oduvaldo Vianna até os contos da literatura marginal de Ferréz. Mas se pudesse citar um livro pelo qual sou apaixonado é Feliz Ano Velho, de Marcelo Rubens Paiva. Esse vale a pena!

Assim, o mundo das letras, da fantasia, da palavra e da imaginação me despertou desde cedo. No início com um embate bobo de uma criança com uma professora. Depois, de um adulto que se torna professor e segue os mesmos passos do mestre (a tal professora chata) e deseja ser alguém que também poderá passar pela vida de alguém e deixar rastros de humanidade, porque, meus caros, a literatura é isso, nos torna mais humanos.


Valter Pelegrini Junior

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